o futuro é agora

.”brasília nasce design” – abria o texto de curadoria no chão do teatro nacional, lugar que a gente viveu de quinta a domingo. lugar que a gente re-viveu, na verdade. entre lançamentos e conversas no saguão, foi comum ouvir sobre saudade de estar ali. tem lugares que marcam nossa história, não é mesmo?  que falam sobre quem a gente é.

a espera daquele show, o dia de ir ao teatro com o avô, o espetáculo da época do colégio. ouvimos muito sobre o quanto o teatro, monumento que o próprio Athos dizia favorito, marcou a história de quem vive aqui.

dias lindos de ver aquele foyer cheio de gente novamente. melhor: cheio da gente. era nossa cidade ali de novo, do jeito que a conhecemos, com todas as nossas memórias e o rosto de quem a faz ser assim, criativa, inventiva e única.

passado, presente e futuro, juntos ali naquele saguão.

há momentos –  e são mágicos – de perceber que o limite de tempo é tênue, quase inexistente. que estamos aqui em continuidade. numa história linda de dar outras dimensões para a história que nos criou.

expodesign// mostrou a arquitetura do Palácio da Alvorada transformada em bancos simples, para você guardar em casa. e relembrou, na inspiração de modernos óculos escuros, da história de Mariana Peretti, que entre suas obras assina o Pássaro Dourado do saguão do teatro e é uma das mulheres que marcaram o design da cidade em sua criação  – lindo, não?! não há somente nomes de homens na criação dos nossos espaços.

entre as várias peças do acervo lindo que arrancou suspiros de quem topou viver com a gente nesses quatro dias, não faltaram demonstrações do quanto a cidade inspirou e inspira novas criações. e isso, por si só, é lindo.

mas a gente quer falar do que extrapola.

e que tem haver com o tempo. com design,  com arte, com estar no mundo, com a emoção de estar ali de novo no teatro, com a história da cidade e com cada um que viveu, que vive e que vai viver aqui.

com a nossa identidade.

“um povo que não reconhece sua história não se reconhece’, contou Pati Herzog, sócia da Experimente com muita ênfase.

e é por acreditar nisso que os quatro dias de expodesign foram possíveis. como outro e importante passo no caminho de guardar – e multiplicar – a história da nossa cidade modernista.

missão que vem nascendo dessa história de saber que conhecer a cidade é também conhecer-se.

era 2002 quando Pati Herzog e Tati Petra, curadoras da expo, resolveram materializar a forma como viam a cidade e fundaram a Tríade, Patrimônio, Turismo e Educação.

para “trabalhar espaços de memória” e “despertar o olhar de quem vive a cidade por meio do encantamento”, que centenas de pessoas – e todas as crianças de todas as escolas classes do DF – foram guiadas para experiências verdadeiras nos espaços que marcam nossa cidade.

em época de uma bsb marcada por janeiros vazios e secas mal faladas, queríamos contar sobre o orgulho de morar aqui. sobre aquela canção que marcou o país e que nasceu no Catetinho. sobre arte no dia a dia, na brincadeira dos azulejos. sobre uma cidade espamarrada, assim no meio do planalto central, que arranca suspiros por edifícios de arquitetura única e pela cor que o sol faz quando vai embora – principalmente quando não chove há dias.

cidade tão ímpar que foi o primeiro bem moderno considerado Patrimônio Cultural pela Unesco – a ponto de dar até trabalho por não haver ainda critérios para nortear esse tombamento.

Tríade, embrião do Experimente, falou de Brasília. e aí, a cada vivência que surgia, quando os espaços eram apropriados e vividos em experiências verdadeiras,

Experimente nasceu para falar que Brasília é nossa.

e ficou maior.

ganhou outros espaços.

outros lugares-memórias. outras vivências vindas de olhares despertados para o que está ao nosso redor.

educação nos ensina a enxergar. e nos faz conhecer. e conhecer nos faz preservar.

vivemos vários anos em quatro dias. todos os 58 anos da história da nossa cidade e todo nosso caminho em manter cada um deles vivos.

porque isso é certeza de outros e novos dias em que cada espaço da nossa cidade prossiga inspiração de outras criações, motivo da pausa de olhar, espaço de vida,

de geração a geração.

história que a gente quer ver cuidada, quer ver passada, quer ver contada, quer ver sentida.

futuro se faz de presente e é, por isso, que gente quer agora nossos espaços conhecidos, vividos e preservados.

então, bora aproveitar para pedir que devolvam bem depressa nosso Teatro Nacional

porque se há algo que essa expo mostrou é que por lá não é só o sol que sabe fazer a festa,

a gente também sabe

.

 

texto: Bruna Viana

fotografia: Paula Carrubba

 

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